O plano kamikaze do Japão impacta a economia mundial

Pois o Japão é aquele país que continua a desafiar os economistas e investidores e quanto mais o tempo passa, mais ele testa as nossas conclusões e previsões. E esse é um assunto que a gente aborda já há anos aqui no canal. Mas da importância que o Japão tem pra economia mundial e considerando que o último vídeo foi em maio deste ano, a gente precisa revisitar o tema, porque pela ótica da situação fiscal agora ela está tão ou mais insustentável do que estava no começo do ano e vários sinais de alerta se acumularam nas últimas semanas e se algo acontece por lá, alguma turbulência, isso repercute no mercado financeiro mundial. E um desses sinais foi justamente a taxa de juros agora a de 2 anos do tesouro japonês aqui, o JDB que ultrapassou 1%. O que parece nada e comparando com a taxa americana ou a taxa brasileira realmente é nada. Mas considerando que é a maior taxa desde 2008 e que está subindo rapidamente, é preciso entender o que está acontecendo com a curva de juros do Japão. E eu quero mostrar então aqui vários gráficos com a taxa de juros do governo do Japão para entender como se movimentou nessas últimas semanas, que notícias também pressionaram os mercados e até algumas relações interessantes, como esta aqui que foi no dia 1eo de dezembro, ontem, segunda-feira, com o movimento que teve no INs e no preço do Bitcoin, o que normalmente não tem uma correlação tão direta assim, mas o que aconteceu nesse nessa segunda-feira foi impressionante. E o movimento do IN se fortalecendo rapidamente, derrubando o Bitcoin. O Bitcoin acabou despencando junto e depois voltando o Bitcoin, que até hoje já está novamente acima de 91, 92.000. Mas é uma correlação interessante que mostra aí a moeda japonesa como reflexo também de algumas notícias que surgiram do Banco do Japão com relação à taxa de juros. Mas vou deixar essa parte mais pro final do vídeo. Falando da curva de juros do tesouro japonês, é importante também analisarmos o comportamento, não apenas do de 2 anos, mas de toda a curva do Japão. Em alguns vídeos passados eu falei sobre o tesouro de 10 anos, de 30 anos. Mas é importante nós plotarmos aqui no gráfico toda a curva. Então, primeiro aqui, tesouro de 3 meses também aqui desde 2014. Vamos lá até vamos colocar um pouco mais para trás, ó. 2012 disparou agora nesse ano e chegou na máxima, está em 0,57%. Tesouro de 1 ano também subindo para 0,8%. de 2 anos que nós já falamos, agora está em 1,02 quase o de 5 anos subindo para 1,38%. O de 10 anos, pela primeira vez também desde lá de 2006, está acima de 1,8%, tá aqui quase 1,9 e tentando chegar lá em 2%, o de 20 anos 2,9% e finalmente aqui o de 30 anos em 3,4%, então toda a curva do tesouro do Japão batendo o recorde e subindo rapidamente. E como se não bastasse os juros subindo, para um país que está bem endividado e que tem um déficit fiscal, qualquer notícia preocupante sobre as contas públicas do Japão acaba impactando os juros. E é o que aconteceu nos últimos dias, porque o governo do Japão, agora com uma nova primeira ministra, está finalizando aqui um novo orçamento para o próximo ano e que contém cerca de 117 bilhões de dólares em estímulos e que seriam financiados via mais dívida. Pô, mas o país já não está extremamente endividado. Quando a gente analisa aqui, ó, de sobre GDP, então dívida sobre o PIB, chegou a 240%, até caiu nos últimos anos, mas ainda está aqui ao redor de 200%, dependendo da métrica, até do critério, tá mais de 230% do PIB. Enfim, pelo menos 200% do PIB já é um absurdo. E ainda assim o governo quer gastar mais e se endividar mais, cara. Não tem como os juros não subirem. Só que quanto mais os juros sobem, mais difícil se torna a rolagem dessa dívida. E agora, com toda a curva positiva e subindo acima de 1, dois ou mais de 3%, que é o caso do tesouro de Japão de 40 anos, começa a ficar mais sustentável. Só que até o momento nada quebrou de fato. Até fazer um parênteses, porque no ano passado a gente teve o início da reversão do carry trade, que esse é um dos grandes ã pontos de conexão do Japão com o restante do mundo. O yen é usado como a moeda para alavancagem porque os juros são muito baixos e se usa os recursos, sorteia o y japonês, se alavanca no Ien para investir em dólar, euro, libra, real brasileiro, etc. É por conta desse fluxo capital que a reversão do carry trade pode impactar os demais mercados, como aconteceu no ano passado. Foi um soluço grande e o Nike caiu muito, outros mercados também, mas de alguns meses para cá a coisa parece ter acalmado, mas alguns indicadores voltam a se deteriorar. Então, voltando aqui à dívida do Japão, bastante elevada e o tesouro japonês querendo aumentar o gasto. Apesar disso, em paralelo, o Banco do Japão, o Banco Central, está sinalizando para o mercado que em dezembro ele pode elevar a taxa de juros do país. E por que que ele vai elevar a taxa de juros do país? Porque a inflação por lá está em 2.9%. E notem que nos últimos meses até ficou acima da inflação americana, chegou a 4% a inflação no Japão, sendo que o medo anteriormente, na década passada retrasada era deflação, agora eles finalmente conseguiram inflação. Então, para debelar a inflação, o Banco Central precisa elevar a taxa de juros e é isso que ele está sinalizando. Ainda está muito baixa, 0,5%. Inclusive eles reiteraram que podem subir a taxa de juros e que se isso acontecer não quer dizer que eles estão indo para território restritivo de juros. não ainda é estímulo viaxa de juros, mas seria uma redução desse estímulo. E o que é curioso para o atual ambiente do ciclo de juros no mundo, porque temos vários países que reduziram bastante nos últimos meses, alguns já estão pensando em parar de subir ou estacionar a taxa de juros. Estados Unidos possivelmente reduza mais uma vez agora na reunião de dezembro, enquanto o Banco do Japão está num ciclo de alta de juros e pode subir mais. Claro que ele está bem mais atrasado e bastou essa especulação de aumento de juros por lá para provocar já uma mini volatilidade nos mercados mundiais. E qual é o grande problema desse aumento de endividamento que o governo agora está planejando? É que como a dívida já está em patamares insustentáveis há anos, pô, vai ficar ainda mais insustentável. E quem é que vai financiar essa dívida? O tesouro do Japão, aliás, o Banco Central do Japão, BOJ, já está diminuindo as suas compras aqui. O total de dívida pública na carteira do Banco do Japão está diminuindo, já chegou a deter mais de 45%, agora está caindo para 40%. Mas se o tesouro passar a emitir mais dívida, alguém vai ter que comprar, vai ser o Banco do Japão, o quanto que isso pode provocar de mais inflação, vão ser os japoneses. Quem mais vai entesourar essa dívida? O que nos traz ao que é o grande risco para os mercados, paraa economia global, que é a reversão dos fluxos de capitais. Porque num momento em que a dívida pode aumentar por conta de mais estímulo e mais déficit, e se não há mais espaço no balanço do Banco do Japão, daqui a pouco os japoneses, famílias, empresas, seguradoras, fundos de pensão podem ser chamados a pagar mais parte dessa conta. E de que forma? vendendo os ativos que eles têm no exterior. O Japão é o maior credor externo, analisando o que os japoneses têm de ativos no exterior, menos o que os estrangeiros têm de ativos no Japão, é uma conta muito positiva. Os japoneses são criedores. Mas se agora eles podem ser chamados para financiar mais o déficit público, como é que eles podem fazer? Bom, vende ações americanas, vende dívida pública dos Estados Unidos, vende dívida corporativa, repatria esse dinheiro para investir, entre aspas, investir para financiar o déficit público do Japão. Essa é a reversão de fluxos de capital que pode trazer sim turbulência para todos os mercados. E só pra gente encerrar, alguns comportamentos interessantes que também precisa destacar. Eu já vinha falando sobre isso, mas agora se aprofundou. Aqui nós temos o tesouro de 30 anos da China e o tesouro de 30 anos do Japão. Desde o finalzinho do ano passado que a China tem uma taxa de juros menor do que a do Japão. Enquanto o Japão tá aqui em 3,4, a China está em 2,2. E aumentou essa distância. Mas não é apenas o de 30 anos, o de 10 anos também. Finalmente aqui o Japão agora está rendendo mais do que o tesouro chinês de 10 anos. Incrível como por essa ótica a China está se tornando o Japão. É ela que hoje luta para debelar o fantasma da deflação, que era o fantasma do Japão nas últimas décadas. Agora é um problema para a China. E outra relação importante de destacar é uma que eu venho já acompanhando já há muitos anos e todo investidor acompanha de perto, que é o diferencial entre o tesouro 10 anos dos Estados Unidos e o tesouro 10 anos do Japão, porque é um indicador que anda normalmente de mãos dadas com a taxa de câmbio do Japão. Quando sobe esse diferencial, aumenta o carry trade, o yen japonês acaba se depreciando porque é mais alavancagem y para investir em dólares. Então o dólar se aprecia em relação ao yen. Quando esse diferencial diminui e diminui a atratividade do carregou do carry trade, o IN costuma se valorizar. Porém esta relação desde segundo trimestre deste ano, ela se quebrou. EN japonês segue se depreciando enquanto o diferencial de juros segue caindo, abrindo aqui essa boca de jacaré. Alguma coisa tem que ceder para essa relação voltar. Ou o in japonês volta a se valorizar fortemente, o que pode gerar sim volatilidade nos mercados, como acabou de gerar no início dessa semana. Mas importante acompanhar estes indicadores para entender para onde pode ir a economia do Japão e o seus reflexos no restante do mundo. Enfim, esse era o vídeo sobre o que está acontecendo com o Japão e a gente vai voltar ao assunto como sempre peças mais importantes nesse tabuleiro da macroeconomia mundial. É preciso acompanhar de perto o que acontece com a economia japonesa. Espero desse vídeo, compartilhem, se inscrevam no canal, ativem o sininho e voltamos o próximo. Valeu,

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O Japão voltou a acender todos os alertas da economia mundial.
Com a curva de juros disparando, dívida pública recorde e risco real de reversão dos fluxos globais de capital, o país pode desencadear turbulências nos mercados — inclusive no câmbio e no Bitcoin, como vimos nos últimos dias.
Neste vídeo, analisamos os novos sinais de estresse fiscal, o possível aperto do Banco do Japão e por que qualquer movimento japonês repercute imediatamente no mundo inteiro.
Um panorama completo do elo mais frágil — e mais perigoso — da macro global.

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