o que está acontecendo com a ECONOMIA DO JAPÃO? (com José Kobori)

A gente tem ouvido muita coisa sobre o Japão e até bom ouvir você falar dele porque chegam as notícias ruins do Japão pra gente cada vez mais, né? Então a gente tem eh a baixa da natalidade, acho que é um é número que é coisa que a gente já fala sobre muito tempo, só que a gente começou a falar sobre economia do Japão. Então a gente já sabe que o o Japão vive uma deflação, um problema econômico que tem gerado um problema. Até mesmo o rumo das eli das últimas eleições seguem um pouco dessa esteira. a gente tá começando a ouvir falar de protesto no Japão, que acho que é uma coisa que nunca furava muito a bolha pra gente também. E também essa questão de como o Japão ele não tá conseguindo se recolocar no mercado global, né? Se a gente olhar assim, que nem você falou, eh, eu cresci nos anos 90, a gente ouvia muitão de ser do Japão, Japão, Japão, Japão, Japão. Só que agora a gente ouve muito mais de China, Taiwan, Índia, a gente ouve muito mais de outros países ali que estão eh na Ásia do que o próprio Japão na esteira das coisas, né? Eh, como é que tá o momento atual econômico do Japão, Cobori? É, o Japão, assim, eu morei lá e no início da década de 90, né? Eu fui para lá em 1990, fiquei lá 91 e 92, né? Voltei no início de 93 e tava no auge assim do da crise no Japão que foi proporcionada justamente pelo acorde de plaza, né, que foi feito em 85. Então, eh, e foi na época da bolha imobiliária no Japão, né, quando eu tava lá. Então, a economia tá em recessão desde então. A economia não eh não se mexe, não se desenvolve, né? Eles estão sempre nessa tentando tirar da recessão, voltam à normalidade, não consegue eh crescer, aquecer a economia, aí dá um passo para trás. Eh, o momento econômico do Japão é o Japão ficou muito subserviente à economia americana, né? Tanto que depois dessa guerra tarifária agressiva dos Estados Unidos, os os dois únicos países que baixaram a cabeça e aceitaram tudo que o Trump pediu foi o Japão e a Inglaterra, né, que fizeram um acordo lá e baixaram a cabeça. É, sobre o ponto de vista político, tá num momento difícil, né, que teve a ascensão lá da extrema direita também, né? A primeira ministra lá é uma política de extrema direita que inclusive ah umas coisas meio assim, sem sentido nenhum, fez o ataque à China agora, né? Foi falar de Taiwan agora e e o próprio governo chinês já reagiu com bastante eh contundência, né? Quer dizer, coisas necessárias, na realidade, comprando uma briga que não é do Japão, né? né? O Japão tá tentando comprar uma briga que é dos Estados Unidos para tentar agradar os Estados Unidos, já que ele depende tanto eh da economia americana. Eu acho que o Japão deveria tentar se livrar e ser mais independente, né? Até porque é um país, uma cultura milenar também, uma civilização muito avançada, é uma economia forte, apesar de ser tá em recessão, uma economia ainda eh muito forte, né? Eh, foi ultrapassada pela China eh há pouco tempo, mas eh até a China ultrapassar, o Japão era a segunda maior economia do mundo, né? Então, acho que o o governo chinês, o estado chinês deveria encontrar algumas formas de ser menos dependente da economia americana, né? Eh, só que o Japão passa pelo menos problema da da Europa, né? A Europa hoje é um continente que eles chamam de vassalos, né? Dos Estados Unidos. O Japão acabou entrando nessa onda. O Japão deveria, acho que se integrar melhor à Ásia, sabe? É, é difícil porque o Japão foi durante um período um estado imperialista também, né? É, é. O Japão, a galera da Assia não gosta muito do Japão no fim do dia. Eles invadiram a Coreia, né, e a China. Então eles têm assim um uma richa histórica. Coreano e chinês não gosta de razão também, né, vamos razão. O Japão cometeu muitas atrocidades, né? Eu como japonês tenho eh até vergonha assim de falar isso, mas você tem, a gente tem que admitir quando você olha a história que eles cometeram muita atrocidade. Eh, mas acho que o Japão cometeu erros, foi justamente na reforma MEG, né? foi quando eles tentaram imitar o Ocidente, né? O Japão começou a acender economicamente quando eles eh influenciado, né, pelos próprios americanos ingleses, eles começaram a tentar adotar uma cultura, pelo menos ponto de vista econômico, uma cultura mais ocidental. Eh, tanto que nesse livro do Emanuel Tod ele chama o ele coloca o Japão no que ele chama de ocidente expandido, né? No ocidente expandido, o Japão é considerado um país ocidental. Eh, e desde que eles tentaram eh copiar o modelo ocidental que eles começaram a cometer atrocidade, né? Eh, essa expansão imperialista e militarista do do Japão foi influenciado pelos Estados Unidos, pela Inglaterra, né? Eh, ele viu Estados Unidos e a Inglaterra colonizando o resto do mundo. Ele achou que ele podia fazer isso também, né? Eh, e aí foi quando ele cometeu as atrocidades na Coreia e na China. Então, acho que o povo japonês é um povo sábio. Acho que tá nesse momento de crise assim, de esticar a corda. Eh, esses movimentos, você falou de manifestação, eu vejo com bons olhos que o povo japonês geralmente ele não faz isso, né? Eh, até pelo que eu conheço na história, é muito difícil você ver o povo japonês se revoltando eh dessa forma. Mas eu acho que é um momento que o que o povo japonês acho que deveria rever, né, a sua história, rever os erros que ele cometeu no passado e os modelos que ele tem tentado copiar, né? E o quanto você vê que essa questão da da natalidade, até mesmo do envelhecimento, tem uma questão é e o Japão, ele é sempre uma incógnita para mim, assim, meu sonho é para lá porque tem coisas que eu queria ver pessoalmente assim, porque tudo que a gente ouve do Japão é uma questão de bem-estar muito alto. Então, pô, eu associo um bem-estar muito alto. Mas ao mesmo passo a gente tem números escabrosos de saúde mental, de solidão, de índices de pessoas tirando na própria vida, de envelhecimento, queda de natalidade. Então é uma coisa que você para e pensa assim: “Caraca, vocês chegaram num num bem-estar tão grande que a população começou a sumir, sabe? Ou a população começou a morrer por culpa desse bem-estar”. É, para mim é um pouco, é legal até falar com alguém que morou lá um pouco para poder entender um pouco dessa que é quase um paradoxo para mim. Isso daí é na realidade assim, o Japão, a a cultura japonesa, eu considero o japonês um um povo triste, sabe? Minha esposa é psicóloga, ela foi para lá depois comigo em 2015 e ela notou isso também. E aí você falando até interessante, quando a gente tava lá, teve um amigo dos, eu tenho cinco filhos, né? Aham. tinha um amigo do do dos nossos filhos foi fazer um mestrado lá no Japão na Universidade de Tóquio e ele foi fazer a tese dele era justamente sobre suicídio, né, na sociedade japonesa. É o país que mais tem suicídio de jovens no mundo é no na sociedade japonesa, né? Eh, dado ao nível de exigência, né, que existe na na sociedade japonesa sobre os jovens, né, eles são muito exigidos a a ter sucesso, a se dar bem no estudo. Então, assim, é o primeiro sinal de que essa ele não vai conseguir corresponder à expectativa que os pais têm, né, que os parentes têm, que a sociedade tem e essas pessoas tiram a vida, né, é uma coisa meio que insuportável para eles, eles não eles saberem que não vão corresponder o que esperam deles, né? Então ele ele ele, esse amigo dos meus filhos foi lá para estudar isso, assim, eh os motivos da sociedade japonesa gerar tanto suicídio na nos jovens, né? Eh, principalmente nos mais jovens. Eh, e quando eu tive lá, assim, eu eu notei que o povo japonês realmente ele é um povo mais triste, principalmente a gente sendo brasileiro, né? Pô, é, ia falar, o cara tá lascado, tá sei que, você vai tá lá na esquina rindo, tá na radial leste 4 horas por dia, mas tá num botequinho na Vila Prudente, sorrindo, [ __ ] principalmente para nós no Brasil, quando você chega lá é uma coisa muito visível, assim, você como eles como você acha ele, eu acho o japonês é um povo triste, sabe? Eh, e eu acho que e isso tem que mudar assim, eh, eh, nesse livro do Emotó também, ele fala eh dessa estrutura familiar, né, que ele chama uma estrutura, tem um termo em francês lá que ele chama Sohi, que eu acho que é é uma cultura também que eu acho prejudicial. No Japão, o filho mais velho tem muito mais valor que o resto, né? O primogênito, ele tem muito mais valor que o resto. Eh, então ele tem uma grande carga de responsabilidade sobre ele, mas também toda a herança da família fica com filho mais velho, sabia? Que loucura. Os mais novos não fica com nada. É que doideira. É. E também tem uma questão de misogenia ainda muito grande no Japão, né? Tem. É. E aí eu até minha cunhada, meu meu tem um irmão lá que mora desde ele foi antes de mim, né? seis mes de mim, mora lá até hoje, tem casou com a japonesa, tem duas filhas. Eh, e a tem tem os dois lados, né? Tem um documentário na Netflix, eu não sei se ainda tem, chama Giro Sushi Dreams, não conheço, que conta, é um documentário, mostra a história desse girô, que ele tem uma um restaurante de sushi no metrô lá em em Guinza, se não me engano. Ele ficou famoso até porque quando o Obama foi lá, foi lá nesse sushi. Não, eu sei, sei, sei, sei. Acho que o jovem nerd foi nesse mesmo coiso de sushi que é bem famoso, né? É, gerou, é, cabe 10 pessoas, é metade da sua sala aqui, o restaurante dele aqui. Pô, que massa. É. E o Obama foi lá, né? Ele ficou famoso, tal. E esse documentário conta a história dele, né? E nessa história dele mostra lá eh em algum momento o filho mais novo revoltado, né? Porque falou pro restaurante vai ficar com com o meu irmão mais velho, que é dele por direito, né, nessa cultura. Eh, e ele tentando se virar para arrumar outra coisa, abrir outro restaurante, fazer outro negócio, porque ele não ia ficar com nada, né, né, nessa nessa herança aí. Então, isso isso também gera, eu acho que é uma estrutura cultural assim que gera muita insatisfação também na sociedade como um todo, né? Porque imagina, é só o filho mais velho que tem direito a tudo, né? Inclusive tem um outro lado que ele também é responsável por cuidar dos pais. Quando os pais ficar velho, ele que tem que cuidar, ele que tem que fazer tudo, né? E aí tem uns que não aceitam isso também, né? E eu tava contando da minha cunhada, eh, porque o irmão dela era o irmão mais velho, ele não aceitou ter que cuidar dos pais, né? Porque ele tem o lado que ele fica com tudo, mas tem o lado da responsabilidade de ter cuidado dos pais até morrer. Cuidado. E aí ele não aceitou e aí ele teve que abrir mão da herança e aí ficou com a minha cunhada. E a minha cunhada que cuida. É muita coisinha diferente, né, bicho? Culturalmente, cara. Então é uma cultura muito igual o japonês. Aí quando a gente tá voltando pra economia não não tem muito problema lá porque a poupança deles é muito alta, né? Então é o povo, um país mais endividado do mundo é o Japão em relação ao PIB, né? Mais de 200% do PIB de endividamento. É, mas ele consegue ter isso porque o povo japonês poupa muito, né? Eh, eu morei muito tempo em Brasília, morei 22 anos em Brasília, eu cheguei a ser vice-presidente da Confederação Brasileira de Golfe, né? Quando veio o golf, veio que voltou a ser olímpico, voltou ao Brasil. Eu era vice-presidente da Confederação Brasileira de Golf e aí lá lá em Brasília assim, metade do clube de golf é diplomata, né, de outros países. Inclusive o campo de golf foi construído pelo Juscilino Cobich por uma exigência eh do Itamarati, né, que os diplomatas fala: “Ó, vai mudar a capital para lá, tem que ter um campo de golfe, porque no Rio tinha, né?” Aham. Eh, e aí assim eu jogava golf com com o pessoal da embaixada do Japão, com o embaixador tal, e conheci três embaixadores. Eh, e o jogo de golf tem uma coisa boa que você tem tempo à vontade para conversar, a partida dura 4 horas, né? Você tá sozinho às vezes com a pessoa. E eu conversava muito com eles e eles falavam muito desse lado pessimista do povo japonês, um povo muito triste, muito pessimista, porque o japonês, na realidade, para ele sempre o dia do amanhã vai ser pior. Então, ele precisa se preparar, né? Ele acha que porque primeiro é um país que tem todos os acidentes geográficos que existem no mundo, tem lá, né? Terremoto, maremoto, furacão, tsunami. Godzilla. Então o japonês, ele sempre acha que amanhã vai ser pior. Então, por isso ele é um povo muito poupador. Então, ele acha que ele tem que poupar para pro dia de amanhã. Eh, e esse embaixador sempre falava isso, né? O povo já e a dificuldade da economia também sair eh da crise é porque ele tem esse lado que a gente briga aqui que a gente precisa poupar mais lá. E eles acham que o japonês precisa gastar mais para movimentar a economia, né? Se todo mundo ficar poupando, como que a economia vai movimentar? Então ele falava dessas eh dessas contradições na sociedade japonesa, né? O o povo japonês é muito triste, muito pessimista, por isso ele poupa muito, isso permite que o governo se endivide mais. Só como ele poupa muito, ele não consome e não gira a economia. Então a gente tem um problema lá de ter eh dos dois lados, né? De ter que ficar tentando eh fazer com que a sociedade evolua, né? Então assim, morar dois anos em Japão foi uma experiência muito válida para mim, que eu me considero brasileiro, né? Eu até brinco que aqui todo mundo me chamava de japonês. Japonês. Aí cheguei lá, todo mundo chama brasileiro. É o brasileiro. Aqui eu sou japonês, lá eu sou brasileiro. É Gaidinho lá, né? Que é Gaidinho. É. É. E aí? E aí é uma experiência assim que para mim foi bastante válida, não só porque eu fui lá para trabalhar, mas para conhecer também a civilização, né? Esse que você acabou de assistir é um corte do nosso podcast com José Cobori. Para você assistir o episódio completo, clica aqui do lado. E é nós.

Neste corte do Podcast do Edson Castro conversamos com José Kobori sobre o que está acontecendo com a economia do Japão. Confira.

🎙️ Assista ao episódio completo com José Kobori clicando aqui: https://youtu.be/-39Gsfv9T40

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