Banco do Japão acelera juros e preocupa mercados globais | BM&C NEWS
Fábio, o mercado tá especulando aí que o banco do Japão pode acelerar até o ciclo de alta aí na próxima reunião. Queria entender até um pouco da tua visão, né, porque a gente vê que o Japão agora, os juros de 10 anos já bateram 1,92 e é o maior nível desde 2007. o que que de fato, né, essa abertura ela reflete e o que ali poderia, né, qual seria o impacto eh se eh essa confirmação aí que o mercado tá especulando do Japão continuar aí acelerando o ciclo de alta pode acabar gerando o impacto já tá sendo. A partir do momento que o presidente Ueda ele sinaliza, eu vou subir, eu quero subir, ele deixa subentendido que ele vai querer subir, o mercado já tá reagindo tanto que 2 anos chegou a 1%, agora 10 anos acima de 1,90, que desde 2007 não acontecia. O mercado se movimentando com a mudança do primeiro ministro, a primeira ministra que assumiu, a primeira coisa que ela quis fazer foi um pacote fiscal, injetar dinheiro, já aponta com uma inflação muito alta. A gente teve aí nos últimos oito trimestres o maior reajuste salarial da história do Japão, muito acima da inflação, anos disso. E o Japão é um país que ele já tem problemas estruturais de não consumir. O japonês é poupador. Poupador com inflação, ele fala: “Ferrou, então vai subir.” O problema agora, Paulo, não é nem observar o o que que vai acontecer quando o Japão subir, é observar qual será o discurso depois de dar essa alta, que acho que ele tá dado. Ele tá tá tentando não repetir. Lembra agosto do ano passado que ele só suspirou e subiu. Aí o mercado panicou. Dessa vez ele tá falando: “Eu vou subir, eu acho que eu quero subir. Tô pensando em subir”. Pô, o mercado falou: “Ele vai subir”. Então tem que ver o que que ele vai falar depois. Eu acho que é muito mais importante a segunda derivada dessa reação, porque essa a reação já tá dada, os títulos abrindo e mostrando uma coisa, até como você falou que queria falar do Brasil, a sensibilidade que o mundo está de países com fiscal desconcertados. É isso. Entendeu? tá custando muito caro para todo mundo. Ô, ô, Fábio, era justamente isso que eu ia entrar, né? Porque se o o Japão, né, que tinha juros praticamente negativos, aí vem subindo o juro por conta de uma deterioração fiscal, né, um amplo pacote de gastos. A gente vê Estados Unidos com uma dívida gigantesca, refletindo inclusive nos títulos o Brasil com uma dívida gigante. Claro que são países heterogêneos na na percepção até eh política, econômica e tudo mais, mas o centro da discussão é o fiscal, né? o mercado ele não compactua com uma expansão de gastos e pede prêmio. Com toda certeza, Felipe. Eu acredito que a gente vai ter nos próximos anos algumas discussões seríssimas de mudança de política fiscal, mudança de moeda, principalmente por não mudança de trocar o dólar, trocar o real, não isso, mas de controles mais próximos a uma realidade normal, porque as dívidas tomaram proporções, como gostam de falar aqui, nunca vista antes na história do da humanidade. O Japão são 210% do PIB, os Estados Unidos 38 trilhões. O Brasil agora desando, muito rápido, chegando a mais de 90% do PIB. Então assim, isso é muito preocupante, porque você tira confiança. A gente tá vendo ouro, a gente tá vendo Bitcoin, né? essas duas reservas de valor. Então, os governos eles têm que que começar a olhar para isso, porque o mercado tá punindo e ninguém aguenta. É, por que que eu, a Paula, você, a gente tem que ter um orçamento, eu não posso ficar devendo e o governo pode fazer o que ele quiser. É meio contracenso isso. Então, a conta chegou. Ô, ô, Fábio, a conta chegou e ali você até trouxe uma leitura interessante, né, eh, do impacto disso pros emergentes e aí sendo mais direta, né, e o Brasil nessa história? O Brasil ele vai pagar essa conta provavelmente em 2027, tanto que a grande discussão que todo mundo tem é nem tá olhando para 26. Você pode ver que tudo ancorado 27, porque 27 a conta vem muito alta, seja para esse governo, seja para alternância de poder. O mercado nessa euforia que o Maurílio mostrou Bovespa, uma alta atrás de outra, tudo mais, é o mercado olhando para 26 com chance de alternância de poder. Porque 26 mantendo esse governo e a quarta vez ninguém acredita que na quarta vai mudar, vai ser fiscalista, vai ser austero. E a gente vai começar a ver esse custo vir agora com a CELIC caindo. O Brasil ele tá aproveitando um ano muito bom de diferencial de juros e com o Japão subindo, Estados Unidos cortando, o Carry Trade vai ficando aquela coisa bonita, vai enfreiando, é aquele bebê que ninguém quer pegar no colo. O real vai começar a sentir como ele sente há muito tempo 5:30. Uhum. modelo matemático. Eu converso muito com o pessoal de câmbio, que eu fiz câmbio minha vida inteira, o real era 4,80, jogando só as variáveis matemáticas, econômicas. Quando você põe o risco político, risco fiscal, a gente tá em 5:30. Uhum. A gente viu 24, o efeito disso. Eu não tenho dúvidas que se se repete 26, uma reeleição com a mesma tipo de governo que na quarta vez não vai mudar o que faz, não é fiscalista e tudo mais, o Brasil acelera a deterioração e, infelizmente, em vez de fazer o contrário, aproveitar agora esse momento para ir arrumando a casa, porque 27 vai ser bem difícil. Ô, Fábio, aí não, se não vier o Lula, a simetria é grande e aí o mercado acaba não comprando essa ideia, mas monitorando a percepção de que essa assimetria pode eh eh ser maior. Se vem um algo que a gente já conhece, a gente já conhece. Então os riscos vai para 5. Agora numa outra perspectiva, né? A gente pode fechar curva, a gente pode diminuir dólar, a gente pode ter bolsa mais alta. A nesse contexto o o cenário fica mais otimista e o mercado pode eh se eh animar nesse com certeza se anima porque tem o benefício da dúvida. É, né? E por mais que você tenha dificuldades em 27, se vem sangue novo, vou usar o exemplo que é o que eu escuto aqui o tempo inteiro no Brasil, o Tarciso, que seria o candidato ideal para a grande maioria que tá apoiando e pelas pesquisas ele tá ganhando uma liderança da direita para concorrer. Não tô falando até contra a corrida eleitoral de A mais B, porque tá muito longe, não dá para acreditar em nada ainda. Mas vamos supor que seja o Tarciso. pega o histórico do que ele fez quando era ministro, agora aqui no governo de São Paulo, você dá o benefício da dúvida, por mais que tenha dificuldades e 27, vem com uma agenda mais conservadora, mais com austeridade, menos gasto, corta 27, para que fique bem claro para todo mundo, independente de quem ganhar a eleição, 27 vai ter que cortar carne. Não tem mais gordura para cortar, você vai ter que cortar coisas que vai doer, é impopular. A gente sabe que quem tá no poder hoje nunca vai fazer isso. Vai só continuar empurrando com a barriga até estopar. Quem chega tem o benefício da dúvida, tem o apoio das urnas, tem que fazer cedo. Então tem essa chance. E aí o mercado vai trabalhar em cima das sinalizações. Tá fazendo, continua confiando. Hum, voltou atrás. Aí tira prêmio. Por quê? Porque Celique vai cair, provavelmente janeiro a março, o CELIC começa a cair e cai rápido. Com os Estados Unidos cortando até o meio do ano para juros neutro e Japão subindo, e o carry de novo perde bastante atratividade. Ô Fábio, eh, a gente tem esse paradoxo, talvez curioso na bolsa agora com máximas históricas, 164.000 pontos. Eu falo paradoxo porque ao mesmo tempo a gente vê um fluxo constante de empresas fechando capital aqui na nossa bolsa. eh não tão conseguindo de fato operar aqui. Qual que é o recado, talvez ali que a gente passe, né, pro investidor global que olha o Brasil lá de Nova York, de Londres, Singapura, enfim, de fora? Nós não somos uma economia dinâmica suficiente pro mercado de capitais ser atrativo para a empresa ter sua ação listada aqui. Primeiro, pela quantidade de investidores que você tem acesso. Segundo, por ser totalmente dependente de uma economia extremamente fragilizada por ser uma economia jovem e uma economia que ela sofre o mundo. Ela não é independente. Você pega países desenvolvidos que tm economias independentes. Interessa o que tá acontecendo do outro lado. Tô bem e todo mundo vem aqui e tá tudo bem. O movimento de se listar fora, como a gente viu algumas aqui nos Brasil fazer, funciona muito bem, porque você, entre aspas, começa a entrar em baskets, de ETFs emergentes e aí você surfa uma onda independente do que tá acontecendo com você, já te ajuda, né? E também você tem acesso ao mundo inteiro investindo em você. A bolsa sobe aqui pelo momento e sobe também porque tem um o o gestor do Alfa Kill, Kellet, Christian Kellet, um excelente cara, muito bom. Ele fala: “Vai faltar papel aqui no Brasil”. Uhum. Então a gente é capaz de ver essa bolsa a 250.000 pontos numa esticada de euforia porque não tem papel e qualquer movimento é 5 6% de alta. Agora podia ser uma bolsa mais ampla. Outro problema, Paula, que eu acredito que vai acontecer aqui, infelizmente a nossa economia não é uma economia global. A gente não tem nada de a de tecnologia, exportadora de commodity, banco, não é uma coisa que também te traz apetite para investidor global, né? Então também falta um pouco da gente ter uma economia mais aberta e com coisas que o mundo quer hoje em dia. Comida, banco e elétrica tem no mundo inteiro.
#bm&cnews #bmcnews #bmcnewsaovivo #economia #noticiasdeeconomia
#mercadofinanceiro #investimentos #bolsadevalores #notíciasdenegócios #japao #brasil
Entrevistado: Fabio Fares, especialista em análise macro
Fábio analisa o cenário fiscal do Japão e do Brasil, destacando o impacto da alta dos juros de 10 anos no Japão, que atingiu 1,92%, maior nível desde 2007. Segundo ele, a mudança de política fiscal japonesa e o pacote de estímulos do governo pressionam os mercados internacionais e influenciam diretamente economias emergentes, como o Brasil. O que isso significa para o Brasil? Fábio explica que o país pode enfrentar sérias dificuldades fiscais a partir de 2027, caso não haja reformas estruturais. O mercado já reage à combinação de juros subindo no Japão, cortes nos EUA e carry trade menos atrativo, refletindo no câmbio e na confiança dos investidores. Quais riscos e oportunidades surgem?!
A análise completa de Fábio mostra como o Banco do Japão e o cenário fiscal global afetam diretamente a economia brasileira e o comportamento do mercado.
Créditos: GettyImages
🛜 Inscreva-se e conecte-se com os nossos conteúdos: https://www.youtube.com/c/BMCNEWStv/subscription1
🖥️ Assista a programação da BM&C na TV:
Canal 547 Claro | Canal 579 Vivo | SKY+ | Samsung TV Plus 2045 | Pluto TV
📲 WHATSAPP: https://whatsapp.com/channel/0029VaCGvkV3WHTUXEpfGi1H
📲 https://bmcnews.com.br/
📲 INSTAGRAM: https://www.instagram.com/bmc.news
📲 TWITTER: https://twitter.com/bmcnewstv
📲 LINKEDIN: https://www.linkedin.com/company/bmcnewstv
📲 FACEBOOK: https://www.facebook.com/bmcnewstv
📲 TELEGRAM: https://t.me/bmcnews
1 Comment
E as províncias da China estão devendo bem mais…e ngm fala