O Cisne Negro do Iene: Como o Japão Levará a Economia dos EUA à Falência
Na manhã de segunda-feira, no dia 5 de agosto do ano de 2024, o sistema financeiro global simplesmente travou. Não foi um declínio lento, nem um aviso suave. Foi como se o coração da economia mundial tivesse parado de bater de uma hora para outra, deixando mesas de operação de Tóquio a Nova York em completo estado de choque. Em poucos minutos, o Japão virou o epicentro do terremoto financeiro. O INEK 225 afundou mais de 12,4% em um único pregão. Para você ter noção do tamanho desse colapso, esse tombo foi pior do que a queda histórica de 1929 e pior do que o Crash de 2008. foi a maior queda diária em pontos da história da bolsa japonesa, apagando em apenas 6 horas todos os ganhos acumulados ao longo do ano, mas o impacto não ficou restrito ao Japão. As ondas desse choque viajaram por cabos de fibra ótica sob o oceano Pacífico na velocidade da luz e atingiram o W Street como um tsunami. Antes mesmo dos americanos terminarem seu primeiro gole de café, os futuros da Nasdak já estavam despencando. Gigantes conhecidas como set magníficas como Apple, Nvidia e Microsoft perderam quase 1 trilhão de dólares em valor de mercado em questão de minutos. Até mesmo o Bitcoin, que muitos chamam de porto seguro em momentos de estress bancário, não escapou do colapso. A criptomoeda desabou quase 20% em poucos instantes, apagando centenas de bilhões de dólares de riqueza digital. O índice vixu, o famoso termômetro do medo, explodiu de 17 para 65. Um nível que só foi visto em duas ocasiões na história moderna, no colapso do Liman Brothers em 2008 e no início da pandemia em março de 2020. Enquanto isso, a mídia financeira tentava desesperadamente dar sentido ao caos. Manchetes especulavam sobre guerra, recessão ou estouro da bolha de inteligência artificial. Mas tudo isso estava errado. Não era guerra, não era recição, nem tinha relação com inteligência artificial. O que estava implodindo naquele momento era uma engrenagem invisível que sustentou o mundo por três décadas. O carry trade do Yen, o vício global em dinheiro quase gratuito vindo do Japão, havia chegado ao fim. Por três décadas, o mundo inteiro se acostumou a um tipo de dinheiro que parecia mágico. Era como um truque infinito vindo do Japão, onde bancos, fundos e até investidores comuns podiam pegar empréstimos praticamente de graça. Esse dinheiro barato atravessava o planeta até Wall Street, onde era multiplicado em apostas gigantescas que inflavam ações, imóveis, fundos de pensão e praticamente todos os ativos que você consegue imaginar. Mas no dia 5 de agosto, o Banco do Japão fez o impensável, fechou a torneira. Eles elevaram os juros para 0,25%. Um aumento tão pequeno que em condições normais mal chamaria atenção. Só que nesse sistema viciado em liquidez barata, essa pequena mudança causou um choque de 20 trilhões de dólares em chamadas de margem ao redor do planeta. Não era apenas uma correção de mercado, era o fim de uma era financeira inteira. O que muita gente ainda não entendeu é que o choque daquele dia não foi um evento isolado, foi só o início. Enquanto a mídia comemorava a recuperação temporária das bolsas, analistas mais experientes alertavam que o processo de desmontagem do Carry Trade estava só na metade. As grandes baleias financeiras ainda estavam presas e a maior de todas elas tinha uma arma apontada para o coração do mercado de títulos do tesouro americano. Assim começa o capítulo um dessa história, o chamado erro do dinheiro infinito. É aqui que a engrenagem secreta do mercado fica exposta. A armadilha de proteção cambial que agora está obrigando os bancos japoneses a se desfazerem de dívidas americanas. Esse movimento silencioso para quem não acompanha os bastidores, é capaz de redirecionar trilhões de dólares de liquidez e redefinir o futuro do sistema financeiro global. Por isso, este mergulho profundo não é um simples relato do que aconteceu. É um mapa para entender o mecanismo que acabou de quebrar o fantasma de 1998, que voltou para assombrar Wall Street, estratégia de proteção que os investidores institucionais estão usando para sobreviver à drenagem de liquidez. E eu digo sem exagero, entender isso agora pode ser a diferença entre preservar seu patrimônio ou vê-lo virar fumaça. Para entender como essa crise nasceu, a gente precisa parar de imaginar o dinheiro como notas de papel e passar a vê-lo como água. Pense no sistema financeiro global como um conjunto enorme de tubos reservatórios e válvulas. Durante mais de três décadas, o Japão funcionou como o maior reservatório de todos, sempre cheio, sempre transbordando. E o detalhe mais importante dessa água era simples. Ela não custava nada. Desde o estouro da própria bolha imobiliária, no início da década de 1990, o Japão trava uma guerra dura contra a deflação e contra uma população que encolhia ano após ano para manter a economia respirando. O Banco do Japão tomou uma decisão radical, derrubou os juros para 0% e em vários momentos até para baixo de zero. Isso significava que qualquer banco, fundo ou pessoa física podia pegar dinheiro emprestado praticamente de graça. Agora imagine que você é um gestor de fundo em Nova York. Lá do outro lado do oceano, você vê essa torneira de dinheiro gratuito aberta a 24 horas por dia. E no seu quintal, nos Estados Unidos, há ativos rendendo 5%, 10% ou até mais. Então você conecta um cano entre essas duas realidades. Nasce aí o famoso carry trade. Você pega dinheiro grátis no Japão, converte para dólares e investe em ativos americanos que pagam muito mais. Madam Condossível perder. Você pegava um empréstimo que não custava nada e o transformava em retorno garantido. Era como se o mercado tivesse descoberto uma espécie de moto perpétua financeira. E o vício cresceu tanto que gerou um segundo lucro oculto, ainda mais tentador. Como o mundo inteiro estava fazendo o mesmo movimento, vendendo yenes e comprando dólares, o valor do Yen desabou. Esse detalhe turbinava ainda mais os ganhos. Quanto mais o yene caía, menor ficava a dívida original em termos de dólar. Era como se você tivesse pegado um empréstimo que encolhia sozinho enquanto você dormia. Esse ciclo perfeito empurrou ativos americanos para máximas históricas, manteve os juros baixos artificialmente e fez muita gente acreditar que era um gênio dos investimentos. Bancos estimam que o tamanho total dessa engrenagem, somando o que vemos e o que fica escondido nos derivativos, chegava a algo próximo de 20 trilhões de dólares, um oceano de dinheiro japonês inflando o mundo inteiro. Só que existe uma lei silenciosa no mercado que nunca falha. Não existe dinheiro gratuito. Tudo tem um preço, mesmo quando parece fácil. E o preço escondido do Carry Trade sempre foi o risco cambial. Era como fazer um pacto apostando que o I permaneceria fraco para sempre e que o Banco do Japão jamais ousaria mexer na estrutura que alimentava o mundo. Mas no dia 31 de julho do ano de 2024, essa fantasia acabou. O Banco do Japão reagiu e a armadilha se fechou. Por décadas, apostar contra a alta dos juros japoneses era conhecido como o trade da viúva, porque destruía carreiras inteiras. Ninguém acreditava que o Banco do Japão mexeria naquele sistema. Eles defendiam juros erados. com fervor quase religioso. Então, por que mudaram? Por que decidiram puxar o fio que segurava a economia mundial? Não foi para derrubar os Estados Unidos, foi para salvar o próprio país, que estava sufocando lentamente. O Japão passou 30 anos exportando deflação ao resto do mundo, mantendo o I barato para favorecer gigantes como Toyota e Sony. Mas em 2022, a inflação global finalmente chegou à ilha. Como o Ien estava em seu nível mais fraco em quase quatro décadas, importar energia e comida se tornou doloroso e o Japão depende quase totalmente de petróleo de fora, além de boa parte dos seus alimentos. O cidadão comum foi esmagado. Salários parados, preços de arroz, energia elétrica e gasolina explodindo. A política do Iene fraco, que supostamente ajudava exportadores e mercados globais, estava arrasando a classe média japonesa. A popularidade do governo despencou. A frustração pública era impossível de ignorar. Diante disso, o Banco do Japão e seu governador Kazueda ficaram diante de duas escolhas. Manter os juros erados para agradar o Wall Street ou subir os juros para defender o Yeni e aliviar o custo de vida dos japoneses. Eles escolheram o próprio povo. Naquele 31 de julho, o Banco do Japão elevou os juros para 0,25% e reduziu o programa de compra de títulos. Foi uma declaração de independência e o ponto mais ignorado pela mídia é simples. Isso não acabou. O Eda deixou claro que continuará elevando os juros se a inflação persistir e eles miram algo próximo de 1% ou mais. Se um aumento de 0,25% causou pânico global, imagine o impacto de um juro japonês a 1%. Cada auto aproxima o Japão dos Estados Unidos, espremme o carry trade e força trilhões de volta para Tóquio. É a grande repatriação, começando diante dos nossos olhos. Para entender o tamanho do estrago que se formou, a gente precisa olhar pra matemática daquele início de agosto, porque é justamente aí que o cisne negro mostra os dentes. Quando o Banco do Japão subiu juros, o Yeni começou a se fortalecer. O que parecia apenas um ajuste técnico virou um pesadelo para gestores de fundos espalhados por Nova York e Londres. Lembra daquele empréstimo barato em yene? Ele começou a inflar como um balão prestes a explodir. Vamos voltar ao exemplo? Imagine que você pegou emprestado 100 milhões de ienes quando a taxa de câmbio estava em 160 yenes por dólar. Isso equivalia a algo perto de 625.000. Você converteu tudo para dólares e investiu em ações americanas. Só que o y sobe 10% e passa para 140 por dólar. Do dia paraa noite, para pagar os mesmos 100 milhões de yenes, você agora precisa de mais de ó. A sua dívida aumentou quase $90.000 sem que você tivesse feito nada errado. Esse efeito é devastador porque o valor da dívida cresce mais rápido do que qualquer lucro das suas aplicações. É exatamente aí que entra a famosa chamada de margem. O banco liga e diz: “Você está no prejuízo, precisa cobrir agora. Só que seu dinheiro tá todo investido. Ele tá em ações da Nvidia, em Microsoft, em Bitcoin, em títulos do tesouro. E quando você precisa levantar caixa rápido, não importa se você gosta da empresa ou acredita no futuro dela, você aperta o botão de vender. Ponto final. Essa é a natureza cruel da venda forçada. Você não vende por estratégia, bende porque precisa sobreviver. E quando milhares de gestores fazem isso ao mesmo tempo, tudo despenca junto. Foi por isso que no dia 5 de agosto tudo caiu ao mesmo tempo. Ouro caiu, prata caiu, criptomoedas caíram, ações ruíram e até títulos que normalmente servem como Porto Seguro balançaram. Em um cenário de crise de liquidez profunda, toda a correlação vira uma só. Tudo se move na mesma direção, tudo é vendido para levantar dinheiro. O problema é que, apesar da recuperação superficial que o mercado mostrou depois, esse processo está longe de terminar. Analistas do GP Morgan e de outras grandes instituições afirmam que apenas entre 50 e 60% do carry trade já foi desmontado. Isso significa que ainda há trilhões de dólares em apostas alavancadas prontas para explodir no próximo movimento brusco do Yen. E nessa história, o jogador mais perigoso não é um fundo de investimento, é o sistema bancário japonês liderado por uma baleia gigante chamada Norinchukin. É bem provável que você nunca tenha ouvido falar do banco Norinchukin, mas ele é uma das instituições financeiras mais influentes do planeta. Funciona como o Banco Central das Cooperativas agrícolas do Japão e administra as economias de milhões de agricultores e pescadores. Seu tamanho impressiona. Eles controlam mais de 400 bilhões de dólares em ativos. E em Wall Street eles carregam um apelido que diz tudo sobre sua força, a baleia dos clow. Os Clow ou obrigações de empréstimos colateralizados são pacotes gigantes de dívidas corporativas consideradas arriscadas. Como juros no Japão eram praticamente zero, o Norinukin precisava buscar retorno em algum lugar. A solução deles foi simples e arriscada. Pegar o dinheiro dos depositantes japoneses e comprar centenas de bilhões de dólares desses pacotes de dívida americana e europeia por um tempo, funcionou. Mas havia um detalhe perigoso escondido nessa estratégia. Sempre que um banco japonês compra títulos americanos, ele precisa proteger o risco cambial. Em outras palavras, precisa comprar uma espécie de seguro caso o dólar caia frente ao ye. Normalmente, esse seguro não custa muito, só que quando o Banco Central Americano elevou juros para perto de 5%, o preço desse R explodiu. Ficou tão caro proteger o dólar que todo o retorno dos investimentos desapareceu. O Norinchukin passou a perder dinheiro só para manter as posições. Então, em junho do ano de 2024, poucas semanas antes do colapso global, o Norinchukin soltou a bomba. Eles projetavam perdas de 1,5 trilhão de ienes, algo próximo de 12 bilhões de dólares naquele ano fiscal. E o motivo era direto, o custo absurdo da proteção cambial. Diante disso, não havia escolha. Eles anunciaram um gigantesco plano de venda. Colocariam no mercado cerca de 63 bilhões de dólares em títulos americanos e europeus. Pense no impacto disso. Não estamos falando de um fundo apostando contra algum ativo específico. Estamos falando de um banco japonês conservador despejando 63 bilhões de dólares de dívida ocidental. Quando uma baleia desse tamanho vende, ela não apenas retira a liquidez do mercado, ela faz os preços caírem e os juros subirem. Esse é o tipo de evento de crédito que quase ninguém na mídia comenta, mas que tem poder de desencadear um ciclo de destruição silenciosa. Porque quando um banco desse porte é forçado a vender, ele empurra os preços para baixo. Preços mais baixos criam mais prejuízos em outros bancos e esses outros bancos também são pressionados a vender. Nasce então o chamado ciclo da desgraça. O norinchukin é o canário na mina. Se a baleia dos clos o oceano está turbulento e perigoso para qualquer instituição exposta a esse tipo de dívida. Para entender o tamanho do risco que estamos enfrentando agora, não precisamos adivinhar o futuro. Basta olhar pro passado, porque esse filme já foi exibido antes. Estamos falando de 1998, ano em que um único fundo quase destruiu o sistema financeiro global. O nome dele era Longterm Capital Management. O famoso Elter Sem era administrado por uma equipe que parecia invencível, incluindo economistas ganhadores do prêmio Nobel e traders lendários vindos do Salaman Brothers. O fundo acreditava ter criado um modelo matemático infalível. A estratégia deles era exatamente o que estamos vendo hoje em escala global: usar dinheiro barato do Japão e da Europa para comprar ativos que pagavam juros maiores em mercados emergentes, como a Rússia. Só que havia um detalhe assustador. Eles estavam alavancados em 100 para um. tinham mais de trilhão de dólares em exposição e apenas 4 bilhões de dólares de capital próprio. Era como brincar de pegar moedas na frente de um rolo compressor. E então, em agosto de 1998, o rolo compressor passou por cima. A Rússia deu um calote em sua dívida e os investidores do mundo inteiro correram para o ativo mais seguro que conheciam, o IN. Em apenas 3 dias do mês de outubro daquele ano, o IN disparou mais de 13% contra o dólar. Para o LTCM foi o apocalipse. A dívida deles em Yen explodiu enquanto seus ativos na Rússia viravam pó. A matemática simplesmente deixou de fechar. A situação era tão grave que o sistema financeiro inteiro começou a tremer. O Federal Reserve precisou organizar uma operação de emergência envolvendo 14 dos maiores bancos do planeta para impedir que o fundo derrubasse o mercado global. E esse episódio importa porque o que tá acontecendo agora é infinitamente maior. Naquela época apenas um fundo estava alavancado até o pescoço. Hoje o carry trade não é um fundo, é o mercado inteiro. Cada banco, cada fundo, cada algoritmo, cada fundo de pensão entrou nesse jogo de pegar dinheiro barato no Japão para buscar retornos mais altos em outros lugares. Estamos diante de uma reedição de 1998, só que em câmera lenta e em escala monstruosa. O salto do IN agosto foi apenas o primeiro aviso. Se o IN se fortalecer ainda mais para 130 ou 120 por dólar, estamos falando de perdas trilionárias, não bilionárias. E desta vez o Federal Reserve talvez não tenha munição para salvar todos. Agora precisamos falar sobre o que deixou muita gente desconcertada naquele 5 de agosto. A queda brutal do Bitcoin. Afinal, se ele era visto como antisistema, por que desabou ainda mais rápido do que o restante do mercado? Enquanto o SP 100 caiu cerca de 4%, o Bitcoin derreteu quase 20% em questão de minutos. Para muita gente isso soou contraditório, mas na verdade foi completamente previsível quando entendemos o papel dele dentro do ciclo de liquidez global. Analistas macroeconômicos vem mostrando há anos que o Bitcoin se comporta como uma esponja altamente sensível à liquidez. A correlação dele com a base monetária global M2 chega perto de 0,94. Isso significa que ele se move praticamente junto com a quantidade de dinheiro, crédito e liquidez que circula no sistema financeiro mundial. Quando a liquidez entra, o Bitcoin dispara. Quando a liquidez some, ele é um dos primeiros a sofrer. Durante a era do dinheiro barato vindo do Japão, fundos e grandes traders não usavam o IN só para comprar títulos seguros. Eles usavam para comprar justamente os ativos mais voláteis e com mais potencial de retorno, tecnologia e criptomoedas. O Bitcoin, portanto, virou um termômetro perfeito para medir o fluxo desses capitais. Por isso, durante 3s anos, o Bitcoin e a NASDAQ caminharam como se tivessem amarrados pela cintura, subindo e caindo quase juntos. Então, quando o Ien disparou e as chamadas de margem começaram, os traders precisaram levantar dinheiro rápido e o mercado de criptomoedas nunca dorme. Ele funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Na noite de domingo, quando o caos começou em Tókio, a bolsa americana estava fechada. O mercado de títulos também, mas o Bitcoin estava aberto, virou o caixa eletrônico global da crise. Venderam Bitcoin não por falta de fé na tecnologia, mas porque era o único ativo líquido que podia ser convertido imediatamente em dinheiro para pagar o rombo. Isso revelou um ponto crucial que muitos ignoram. No curto prazo, o Bitcoin ainda se comporta como um ativo de risco. Ele é o canário da mina da liquidez. Se você quer saber se o processo de desmontagem do Carry Trade terminou, não olhe para o Dow Jones, olhe para o Bitcoin e para o gráfico dólar contra Yen. Se o IN sobe e o Bitcoin cai, o desmonte continua. Mas essa dor de curto prazo abre espaço para o grande argumento de longo prazo. Quando o sistema quebra, a resposta dos bancos centrais sempre foi a mesma. Imprimir dinheiro. E é justamente isso que alimenta os ativos duros. É aqui que chegamos ao ponto mais delicado dessa história. O impasse do Federal Reserve. Jeromey Pouel entrou em um labirinto sem saída clara. De um lado, ele queria manter os juros altos para continuar combatendo a a inflação nos Estados Unidos. Do outro lado, esses mesmos juros altos estavam destruindo o sistema global porque ampliavam demais o abismo entre os juros americanos e os juros japoneses. 5,5% contra 0,25% não é uma diferença, é uma bomba relógio. Se o Fed insiste em manter os juros elevados, o carry trade continua implodindo, o IN se fortalece ainda mais. Os bancos japoneses seguem vendendo títulos americanos e os juros dos títulos do tesouro disparam. Isso empurra as hipotecas para perto de 8% e coloca um peso insuportável nos bancos americanos que estão sentados sobre centenas de bilhões de dólares em prejuízos não realizados. Nesse caminho, o resultado é um colapso financeiro ainda mais grave que o de 2008. Por outro lado, se o Fed corta os juros agressivamente para aliviar a pressão sobre U, acontece outro pesadelo. A inflação volta com força. Entramos em um cenário semelhante à década de 1970, quando o mundo enfrentou preços altos e crescimento baixo ao mesmo tempo. O ambiente de Stagflação. E se os investidores começarem a desconfiar da dívida americana recusando-se a comprar títulos com juros menores, o Fed terá de recorrer ao último recurso disponível. Esse último recurso é conhecido como controle da curva de juros. Funciona assim. Quando o governo não consegue mais atrair compradores suficientes para sua dívida, o próprio Banco Central imprime dinheiro e compra os títulos para impedir que os juros subam demais. Foi exatamente o que o Japão fez por mais de uma década. E agora tudo indica que os Estados Unidos podem ser forçados a seguir pelo mesmo caminho, mesmo que tentem negar. O problema é que quando um banco central começa a imprimir dinheiro para salvar o mercado de títulos, ele sacrifica a moeda. O dólar perde força, o custo de vida sobe e a base monetária se expande rapidamente. É nesse tipo de cenário que os ativos duros, como ouro, prata e Bitcoin, deixam de se comportar como ativos de risco e passam a se comportar como reservas de valor. Eles se desconectam do restante do mercado e começam a subir enquanto tudo mais derrete. O cisne negro do Yeni não foi apenas um susto de um dia, foi a mudança completa de regime e estamos saindo de um mundo movido por alavancagem barata e entrando em uma era marcada por volatilidade, escassez de capital e movimentos bruscos. E diante desse novo cenário, os investidores institucionais mais sofisticados não estão esperando para ver o que acontece. Eles já estão se reposicionando com uma estratégia antiga, porém testada em várias crises ao longo da história. Essa estratégia é conhecida como a tática do alter, porque ela distribui o peso em duas extremidades e evita exatamente aquilo que costuma ser destruído em momentos de incerteza. O meio, o centro da carteira é o lugar onde ficam os ativos mais frágeis, aqueles que não são seguros o suficiente para resistir a uma crise e não são escassos o bastante para sobreviver à inflação. Por isso, a lógica do Alter se fixa em dois polos completamente diferentes. No primeiro extremo estão os ativos de máxima liquidez e máxima segurança para os grandes investidores. Isso significa assegurar uma boa parte do capital em títulos do tesouro americano de curtíssimo prazo. Os famosos TBS. Eles pagam juros em torno de 5% e o mais importante, podem ser convertidos em dinheiro quase imediatamente. Em uma crise de liquidez, o dinheiro vira oxigênio. É o que permite sobreviver ao caos e ainda ter munição para comprar ativos de qualidade quando todo mundo tiver vendendo por desespero. No segundo extremo estão os ativos duros, aqueles que não podem ser criados do nada por um banco central. Ouro que sempre foi o refúgio em tempos de incerteza e segue sendo comprado por bancos centrais do mundo todo. Prata. que além de sua função monetária, enfrenta um aperto brutal de oferta. E Bitcoin, o ativo digital de oferta matematicamente limitada que muitos agora vem como proteção contra o colapso das moedas. Esses ativos são o seguro contra a opção nuclear, a desvalorização agressiva do dinheiro, o que os grandes evitam, exatamente o meio. Dívidas caras, ações especulativas sem fluxo de caixa, alavancagem e qualquer instrumento que dependa de mais de liquidez abundante. Em o mundo onde a água do sistema tá baixando, a alavancagem vira inimiga e expõe todo mundo que estava nadando no Não é coincidência que o Waren Buffett esteja sentado sobre mais de 325 bilhões de dólares em caixa. não está tentando adivinhar o momento do mercado. Ele está esperando a liquidação mundial. Quando o carry trade desmontar por completo, ativos incríveis serão vendidos a preço de sucata e só quem tiver liquidez poderá aproveitá-los. Então fica aqui o ponto central. A era do dinheiro fácil acabou. O mundo entrou definitivamente no período do dinheiro duro. E nesse novo cenário, o gráfico dólar contra y se tornou o termômetro mais importante do planeta. Se a linha desce, significa que o I está se fortalecendo e o perigo aumenta. Se a linha sobe, o IN enfraquece e a bolha global ganha alguns dias de fôlego. Tudo o que vimos desde agosto não é um evento isolado, mas o início de um processo que ainda vai gerar muitos tremores. E por isso você precisa manter os olhos em Tóquio, porque é de lá que vem o fio que tá puxando toda a liquidez do sistema. O Japão se tornou a peça chave da economia mundial e cada movimento deles influencia diretamente o seu patrimônio. Mesmo que você nunca tenha comprado uma ação japonesa na vida. Quando a água começa a baixar, as estruturas escondidas aparecem e estamos exatamente nesse momento. A proposta deste mergulho foi mostrar não apenas as manchetes, mas a mecânica invisível por trás delas. É o que o Fan Prism se propõe a fazer. Não repetir notícia, mas explicar como a máquina funciona por dentro e como cada engrenagem afeta a outra. E se este conteúdo ajudou você a fazer as conexões entre uma dona de casa japonesa, um creche de criptomoedas e a segurança do seu portfólio, então já cumpri o seu propósito. Agora quero ouvir você. Na sua visão, o Federal Reserve vai escolher salvar o dólar mantendo os juros altos, mesmo com o risco de quebrar o sistema, ou vai optar por salvar o mercado de títulos, cortar juros e imprimir dinheiro? Escreva nos comentários. Salvar o dólar ou salvar o mercado? Sua resposta diz muito sobre como você enxerga o futuro próximo. Eu sou o diretor estratégico do Fan Prism. Manten raça liquido, mantenha-se soberano e nunca tire os olhos do cisne negro que vem do Japão.
na madrugada de cinco de agosto do ano de dois mil e vinte e quatro, o mundo financeiro parou de respirar. em poucas horas, o japão detonou o início do maior terremoto econômico desde dois mil e oito. 📉🌍
o nikkei desabou, a nasdaq tremeu, o bitcoin derreteu e o vix explodiu a níveis que só vimos durante o colapso do lehman brothers e da pandemia. mas nada disso aconteceu por causa de guerra, recessão ou bolha de inteligência artificial. o que ruiu foi uma engrenagem escondida que sustentou a economia global por trinta anos: o carry trade do iene. 🇯🇵💥
este vídeo revela, passo a passo, como um aumento minúsculo nos juros japoneses detonou um choque de vinte trilhões de dólares, puxou a liquidez do planeta e colocou o federal reserve diante do maior dilema de sua história. você vai entender por que bancos japoneses estão vendendo dívida americana, por que bitcoin virou o caixa eletrônico da crise e por que o gráfico dólar contra iene se tornou o mais importante do mundo. 🔍📊
este não é apenas um relato do que aconteceu. é um mapa das forças invisíveis que movem as bolsas, os juros, o ouro, a prata e o seu próprio patrimônio. e pode ser, literalmente, o conhecimento que separa quem perde tudo de quem atravessa a tempestade com lucidez e estratégia.
se esse conteúdo te ajudar a conectar os pontos, considere se inscrever. novos episódios vão acompanhar, em tempo real, cada passo desse cisne negro japonês. 🦢⚡
7 Comments
Bora lá, começar a contar pra ver no que vai dar.
Eu tenho uma pergunta que é mais uma dúvida mesmo: o que é mais seguro para proteger o capital de crises no mundo? comprar ouro físico ou ETF do ouro mesmo? Tipo mesmo comprando ETF de ouro ainda sim é arriscado pois quando o governo quiser ele toma de você? (No caso estou me referindo ao ETF do ouro) Por que eu sei que ouro físico eles podem tomar mas e o ETF eles podem fazer isso tb? Me tira essa dúvida pf.
Boa noite, gostaria de fazer uma pergunta: Vc disse no vídeo as seguintes palavras – " QUEM TIVER LIQUIDEZ COMPRARÁ ATIVOS FANTASTICOS A PREÇO DE SUCATA"…. isso significa que quem tiver LIQUIDEZ ( $$$ ) terá poder de compra… Mais ate lá qual é o melhor investimento para ter essa liquidez ???? Quais sinais deveremos nos atentar no Japão ???? Uma coisa que Brasileiro tem é preguiça de ler e infelizmente a analise fundamentalista é super difícil e totalmente subjuntiva, então como nos prepara para esse evento ??? Onde focar nossa maior atenção ????? Por favor faça a parte 2 desse vídeo por que essa talvez seja uma duvida de muitos.
o certo seria proteger a moed nacional neee, mas essa galera do fed faz o que bem entende.
É justo pelas as duas bombas jogaram no Japão
😊o fed vai baixar o juros e imprimir dólares
E assim será quando a maior de todas as crises chegar! O Japão iniciará o colapso global! Esse canal é magnifico!